Essa atividade foi pensada para mostrar aos alunos do 6º ano que a língua portuguesa vai muito além das regras gramaticais. As palavras têm o poder de transformar sentidos, criar imagens e emocionar quem lê ou ouve. É exatamente isso que as figuras de linguagem fazem, e é isso que os alunos vão descobrir aqui.
A proposta segue o modelo de Sala de Aula Invertida. Antes da aula, os estudantes acessam um material interativo ou vídeo animado sobre metáfora, comparação, hipérbole e personificação. Esse contato prévio é fundamental: quando chegam em sala, eles já têm uma ideia do conteúdo e a aula pode ir direto para a prática.
Em sala, a turma entra na dinâmica 'Caça ao Superpoder'. Os alunos recebem trechos reais de músicas, poemas e propagandas, todos escolhidos por trazerem figuras de linguagem de forma clara e impactante. Em grupos, eles precisam identificar qual figura está presente em cada trecho e, mais importante, discutir o efeito que ela provoca. Por que o autor escolheu dizer 'meu coração é uma pedra' em vez de 'estou triste'? O que muda quando usamos uma hipérbole numa propaganda?
Essas perguntas guiam o debate dentro dos grupos. Cada equipe registra suas análises em um cartaz criativo, que depois é exposto para toda a turma. Essa etapa de socialização é importante: os alunos ouvem as interpretações dos colegas, percebem que um mesmo trecho pode gerar leituras diferentes e aprendem a argumentar sobre suas escolhas.
A atividade trabalha diretamente a habilidade EF67LP38 da BNCC, que trata da análise dos efeitos de sentido das figuras de linguagem. Mas vai além disso: os alunos exercitam leitura crítica, escuta ativa, colaboração e criatividade. Tudo isso em uma aula de 50 minutos que combina tecnologia, trabalho em grupo e produção concreta.
O grande objetivo aqui não é que o aluno memorize a definição de metáfora ou hipérbole. A ideia é que ele consiga reconhecer essas figuras em textos reais e entender por que elas foram usadas. Quando um aluno percebe que uma propaganda usa hipérbole para convencer o consumidor, ele está desenvolvendo leitura crítica de verdade. O trabalho em grupo também é intencional: debater interpretações com os colegas ajuda a consolidar o aprendizado de forma muito mais eficaz do que copiar um conceito do quadro.
O conteúdo desta aula parte dos textos que os alunos já conhecem no dia a dia. Músicas que eles ouvem, propagandas que veem na televisão e poemas que aparecem em livros didáticos são os pontos de entrada para o estudo das figuras de linguagem. Essa escolha é proposital: quando o conteúdo aparece em contextos familiares, o aluno entende que está aprendendo algo que já faz parte da sua vida, não um assunto distante e abstrato.
A Sala de Aula Invertida é a espinha dorsal dessa proposta. Ao estudar o conteúdo em casa, o aluno chega em sala pronto para praticar, e o tempo presencial fica reservado para o que realmente importa: a discussão, a análise e a criação. A dinâmica 'Caça ao Superpoder' transforma a identificação das figuras em um desafio coletivo, o que aumenta o engajamento. O uso de textos autênticos, e não exemplos inventados, garante que a atividade tenha conexão real com o mundo dos alunos.
Com apenas 50 minutos disponíveis, a aula precisa ser bem organizada. A etapa de estudo prévio em casa é o que torna isso possível: sem ela, não haveria tempo para a dinâmica completa. Em sala, o professor atua como mediador, circulando pelos grupos, fazendo perguntas que aprofundam a análise e garantindo que todos participem. A exposição dos cartazes no final cria um momento de síntese coletiva que fecha bem a aula.
Momento 1: Checagem do Material Estudado em Casa (Estimativa: 5 minutos)
Inicie a aula de forma dinâmica e acolhedora, cumprimentando os alunos e retomando rapidamente o material que eles deveriam ter acessado antes da aula — o vídeo animado ou material interativo sobre figuras de linguagem. Faça duas ou três perguntas orais rápidas para a turma, como: 'Quem conseguiu assistir ao vídeo? O que vocês acharam mais interessante?' ou 'Alguém lembra o que é uma metáfora? E uma hipérbole?'. É importante que esse momento seja leve e sem caráter punitivo para quem não acessou o material: o objetivo é ativar os conhecimentos prévios e criar um ponto de partida comum para todos. Permita que os alunos respondam espontaneamente, sem pressão, e aproveite as respostas para fazer uma breve síntese oral das quatro figuras de linguagem que serão trabalhadas — metáfora, comparação, hipérbole e personificação. Se perceber que muitos alunos não acessaram o material, dedique alguns segundos extras para reforçar os conceitos centrais com exemplos simples, como 'Você é um leão!' (metáfora) ou 'Estou com uma fome de lobo!' (hipérbole). Observe se os alunos demonstram familiaridade com os termos e anote mentalmente quem parece mais seguro, pois esses estudantes podem ser distribuídos estrategicamente nos grupos na etapa seguinte.
Momento 2: Formação dos Grupos e Distribuição dos Trechos (Estimativa: 5 minutos)
Organize a turma em grupos de 4 a 5 alunos. Prefira fazer essa organização de forma planejada antes da aula, distribuindo os alunos de maneira heterogênea — misturando estudantes com diferentes níveis de engajamento e habilidade leitora. Isso favorece a aprendizagem colaborativa e evita que grupos fiquem travados sem conseguir avançar. Distribua para cada grupo um conjunto de trechos impressos ou escritos em tiras de papel, contendo fragmentos de músicas populares, poemas e propagandas que apresentem claramente as figuras de linguagem estudadas. Sugestões de trechos: 'Meu coração é uma pedra' (metáfora); 'Seus olhos são como estrelas' (comparação); 'Já te liguei um milhão de vezes!' (hipérbole); 'O vento sussurrava segredos entre as árvores' (personificação). É importante que cada grupo receba trechos variados, contemplando mais de uma figura de linguagem. Explique rapidamente a dinâmica 'Caça ao Superpoder': cada grupo deve identificar qual figura de linguagem está presente em cada trecho e discutir qual efeito ela provoca em quem lê ou ouve. Ao final, o grupo registrará suas análises em um cartaz. Certifique-se de que todos os grupos entenderam a proposta antes de liberar para a atividade.
Momento 3: Análise em Grupo e Produção dos Cartazes (Estimativa: 25 minutos)
Este é o momento central da aula. Circule pelos grupos enquanto os alunos trabalham, observando o processo de análise e intervindo quando necessário. Oriente os grupos a não se limitarem a apenas nomear a figura de linguagem, mas a responder perguntas como: 'Por que o autor escolheu essa expressão?' e 'O que mudaria no texto se ele dissesse de forma direta?'. Essas perguntas estimulam o pensamento crítico e aprofundam a compreensão dos efeitos de sentido. Observe se os alunos estão conseguindo diferenciar metáfora de comparação — essa é uma dificuldade comum nessa faixa etária. Se perceber confusão, intervenha com um exemplo prático: 'Na comparação, usamos 'como' ou 'tal qual'; na metáfora, dizemos que uma coisa é a outra diretamente'. Permita que os grupos organizem o cartaz com liberdade criativa, usando canetas coloridas e destacando os trechos analisados. O cartaz deve conter: o trecho original, o nome da figura identificada e uma explicação do efeito que ela provoca. É importante que todos os integrantes participem tanto da análise quanto da produção visual. Enquanto circula, utilize sua ficha de observação para registrar os pontos fortes e as dificuldades de cada grupo — isso será útil para o planejamento das próximas aulas. Se algum grupo terminar antes do tempo, proponha um desafio extra: criar um trecho próprio usando uma das figuras estudadas.
Momento 4: Exposição dos Cartazes e Debate Coletivo (Estimativa: 15 minutos)
Organize um momento de socialização em que cada grupo apresente brevemente seu cartaz para a turma. Peça que um ou dois representantes de cada grupo expliquem os trechos analisados e os efeitos de sentido identificados. É importante que as apresentações sejam objetivas — oriente cada grupo a falar por cerca de 2 a 3 minutos, destacando o trecho que acharam mais interessante e o efeito que ele provoca. Após cada apresentação, abra para comentários rápidos dos demais grupos: 'Alguém identificou algo diferente nesse trecho?' ou 'Vocês concordam com a interpretação do grupo?'. Permita que diferentes leituras coexistam, reforçando que um mesmo texto pode gerar interpretações variadas e todas podem ser válidas, desde que argumentadas. Ao final das apresentações, faça uma síntese coletiva no quadro ou projetor, retomando as quatro figuras trabalhadas e seus principais efeitos. Encerre com a autoavaliação rápida: peça que cada aluno responda oralmente ou em um papel pequeno duas perguntas — 'Qual figura de linguagem você achou mais fácil de identificar?' e 'O que ainda ficou confuso para você?'. Recolha as respostas escritas, se houver, para orientar o planejamento da próxima aula. Esse encerramento reflexivo é fundamental para que o aluno desenvolva autonomia sobre o próprio aprendizado.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as orientações a seguir têm caráter preventivo e visam garantir que todos os alunos participem com equidade e conforto. Ao formar os grupos, distribua os estudantes de forma heterogênea, considerando diferentes ritmos de aprendizagem e perfis de participação — alunos mais tímidos se beneficiam de grupos menores e de papéis bem definidos, como 'leitor dos trechos', 'escriba' ou 'apresentador'. Ao circular pelos grupos no Momento 3, dedique atenção especial aos alunos que demonstrarem dificuldade de leitura ou de expressão escrita: ofereça apoio oral, fazendo perguntas que os ajudem a organizar o pensamento antes de registrar no cartaz. Para alunos que apresentem dificuldades de leitura, permita que os trechos sejam lidos em voz alta por um colega do grupo antes da análise. Na etapa de apresentação dos cartazes, não force alunos que demonstrem timidez a falar sozinhos — permita que apresentem em dupla ou que outro colega do grupo complemente a fala. Lembre-se: pequenas adaptações no cotidiano da sala já fazem uma grande diferença para que todos se sintam incluídos e capazes. Você não precisa de recursos extras para isso — sua atenção e sensibilidade já são o principal instrumento de inclusão.
A avaliação dessa atividade precisa olhar tanto para o processo quanto para o produto final. Não basta o cartaz estar bonito: o que importa é se o aluno conseguiu identificar corretamente as figuras e, principalmente, se conseguiu explicar o efeito que elas provocam. O debate durante a socialização dos cartazes também é um momento avaliativo rico, porque revela como cada aluno articula seu raciocínio na hora de argumentar. O professor pode usar uma ficha de observação simples durante a dinâmica para registrar a participação e a qualidade das análises de cada grupo.
Os recursos foram escolhidos para equilibrar tecnologia e materiais físicos. O vídeo ou material interativo para a etapa em casa pode ser acessado pelo celular ou computador, o que é viável para a maioria dos alunos. Em sala, os materiais são simples e de baixo custo: papel, caneta e os trechos impressos ou escritos no quadro. Isso garante que a atividade funcione mesmo em escolas com poucos recursos tecnológicos.
Toda turma tem alunos que aprendem de formas diferentes, e essa atividade já carrega uma flexibilidade natural por trabalhar com múltiplas linguagens: texto escrito, imagem, música e fala. Mesmo sem condições específicas diagnosticadas na turma, vale ficar atento a alunos que têm mais dificuldade com leitura ou que se sentem inseguros para falar em público. A formação dos grupos é uma boa oportunidade para equilibrar perfis: colocar alunos com mais facilidade ao lado de quem tem mais dificuldade, sem criar hierarquias. O cartaz permite que cada um contribua do jeito que se sente mais confortável, seja escrevendo, desenhando ou organizando as ideias do grupo.
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